
Com o brilho das estrelas, no silencio da noite escrevo estas linhas numa solidão que me consome embora tenha ombro amigo, olhar para chorar, mão para me acariciar, boca para me falar… Não sinto mais vontade de seguir pelo caminho, quero somente seguir meu trilho, deixar-te para trás como raio de sol passageiro, como folha de árvore caída levada pelo vento… Tentam fazer-me respirar o ar que não quero, deixar a minha vida, o meu ser, o orgulho, o sonho, o encanto, somente partir sozinho, é essa a condição… Perdido no mar fiquei no meio desta tormenta a sonhar numa utopia que quase se tornou real mas virou pesadelo, tudo porque acreditei, tudo porque me fizeram acreditar que o mundo poderia ser maior, que o limite do nosso sonho não teria fronteiras, não teria um fim… Vi um farol no alto de um cabo qualquer, um mar em fogo tocado pelo mais fantástico por do sol, senti palavras e promessas de amor eterno a flutuar pelo teu véu caindo a nossos pés… Acreditei que um dia pudesse acontecer, mas num único momento de fraqueza, devassa, horrível, fui expulso de mim, levando-me a cair de joelhos perante um altar da minha terra de sonho e chorar… Libertei as lágrimas aos santos, pedi para acordar de tamanho pesadelo, mas ao toque físico, frio da senhora, era real… Tinha chegado o fim… Julguei-te pelas noites de amor, pelas loucuras do dia, amei-te mais ainda por te sentir, pela duvida… Detestei-te pela forma, pelo modo, pela fraqueza, mas pelo erro que um dia irás sentir em tua pele… Por entre as nuvens, só queria cair, chorei por dentro para ninguém ver e agora aqui sinto a solidão, que o mundo caiu não somente por ti, mas porque caí com um mundo em que sonhei fazer parte… Não sinto mais vontade de seguir pelo caminho, as estrelas já não brilham para me guiar a lado algum… Solidão, que te cravas em minha pele, leva-me… Leva-me…
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