segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Provação


Eras um mundo perdido que qualquer louco aventureiro se dispunha a encontrar, escalar as mais altas montanhas, atravessar o maior dos desertos, cruzar o mar imenso, subir mais alto, mergulhar bem fundo, tudo somente para te conquistar… Eras mais que ouro, mais que qualquer riqueza que um mortal poderia possuir… Floresta selvagem difícil de desbravar, leito de rio impossível de atravessar, eras a aridez de um deserto quente, um dia imenso sem hora para acabar, eras aurora boreal, brilho de sol, encanto de lua… Beijar-te era o sonho de um poeta, possuir-te a avareza de um conquistador. Milhares foram os trilhos percorridos, muitas as noites sem dormir, gritos de desespero por te julgar tão perto e não te conseguir encontrar…Eras sol em dia de grandes chuvadas, calor nas noites em que a fogueira teimava em não aquecer, coragem para enfrentar todas as criaturas da selva, eras a força que fazia as pernas andar, a razão de tudo isto… Mesmo o oxigénio que se respirava trazia aromas a ti, no vento o teu cheiro convencia-me da grande mentira, que estarias por perto e ao cruzar a montanha eras somente mais um vale… Quantas vezes perdido, quantos passos dados em falso, quantas quedas, quanta vontade de desistir!!! Olhares desesperados em busca da lua, em busca de uma razão. Mas desistir nunca foi solução e ainda hoje caminho com meus pés em chagas, minha alma em farrapos, chorando mas nunca desistindo porque sei que a recompensa final será a vida que me foge, o mundo que me rejeita… Tudo e somente tudo para te encontrar já fiz e continuarei a fazer, nesta minha longa viagem solitária, nesta minha provação que me levará até ti e finalmente morrer feliz ouvindo a melodia de tua voz, o sussurro de um anjo ao meu ouvido embalando minha alma para o descanso final… Sei que nunca terás a noção do que fiz por ti, sei que o amanha será novo dia de conquistas, de grandes caminhadas, não sei se te conquistarei mas de uma coisa tenho a certeza, valerá sempre a pena, porque a alma de um homem não é pequena…

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Foi assim...


Com o brilho das estrelas, no silencio da noite escrevo estas linhas numa solidão que me consome embora tenha ombro amigo, olhar para chorar, mão para me acariciar, boca para me falar… Não sinto mais vontade de seguir pelo caminho, quero somente seguir meu trilho, deixar-te para trás como raio de sol passageiro, como folha de árvore caída levada pelo vento… Tentam fazer-me respirar o ar que não quero, deixar a minha vida, o meu ser, o orgulho, o sonho, o encanto, somente partir sozinho, é essa a condição… Perdido no mar fiquei no meio desta tormenta a sonhar numa utopia que quase se tornou real mas virou pesadelo, tudo porque acreditei, tudo porque me fizeram acreditar que o mundo poderia ser maior, que o limite do nosso sonho não teria fronteiras, não teria um fim… Vi um farol no alto de um cabo qualquer, um mar em fogo tocado pelo mais fantástico por do sol, senti palavras e promessas de amor eterno a flutuar pelo teu véu caindo a nossos pés… Acreditei que um dia pudesse acontecer, mas num único momento de fraqueza, devassa, horrível, fui expulso de mim, levando-me a cair de joelhos perante um altar da minha terra de sonho e chorar… Libertei as lágrimas aos santos, pedi para acordar de tamanho pesadelo, mas ao toque físico, frio da senhora, era real… Tinha chegado o fim… Julguei-te pelas noites de amor, pelas loucuras do dia, amei-te mais ainda por te sentir, pela duvida… Detestei-te pela forma, pelo modo, pela fraqueza, mas pelo erro que um dia irás sentir em tua pele… Por entre as nuvens, só queria cair, chorei por dentro para ninguém ver e agora aqui sinto a solidão, que o mundo caiu não somente por ti, mas porque caí com um mundo em que sonhei fazer parte… Não sinto mais vontade de seguir pelo caminho, as estrelas já não brilham para me guiar a lado algum… Solidão, que te cravas em minha pele, leva-me… Leva-me…