
Prometi não mais sentir teu poder em mim, não me deixar dominar pela tua ausência, não verter nem mais uma única lágrima de mim por ti... Prometi ser forte, dominar o mar de angustias que banha o meu ser, deixar de submeter minha alma a tamanha tortura só por te amar, sentir-me vencido pela distancia assassina e cruel... Não mais quero saber se sentes o vento que sopra vindo de mim, pois mesmo que to mande tocar teu rosto jamais o aceitarás como até aqui... Saudades posso sentir sim, mas dos momentos em que fui feliz, em que te vi sorrir porque sim, saudades de ti ainda viva, ainda amante e fiel. Saudades sinto desse mar que canta baixinho aos pés dessa montanha, dos seres e cores que povoam essas águas, do mundo que te rodeia e que agora jamais me pertencerá... Destino o meu ver-te partir assim como se tivesse a acordar de um lindo sonho, destino o meu que me atira para as profundezas de mim sem ter direito a uma palavra, a um grito de misericórdia tudo porque não sou o senhor que se segue em ti, sou passado, algo que aconteceu e que se perderá no tempo. Prometi calar o meu sentimento, torna-lo cárcere da minha tristeza, prometi não deixar correr o sangue que flui nas minhas veias por ti porque me doí, porque não faz sentido... Não te quero olhar, sentir que a tua existência somente me trás angustia e na distancia que nos separa essa angustia é como uma mar que não tem fim... Grito mudo no silencio para não fazer a diferença, não quero incomodar, mas a tua ausência está-me a matar... Não mais te quero sentir porque me deixas-te para trás por uns grãos de areia, por um punhado de nada cheio de tudo, quando te poderia dar tudo por nada... Assim não, assim é a fraqueza que te vence e me derrota, assim é não dar valor ao que de mais valioso te consegui dar, é te sentires pobre com o maior de todos os tesouros... O Amor...