domingo, 26 de outubro de 2008

Prometi


Prometi não mais sentir teu poder em mim, não me deixar dominar pela tua ausência, não verter nem mais uma única lágrima de mim por ti... Prometi ser forte, dominar o mar de angustias que banha o meu ser, deixar de submeter minha alma a tamanha tortura só por te amar, sentir-me vencido pela distancia assassina e cruel... Não mais quero saber se sentes o vento que sopra vindo de mim, pois mesmo que to mande tocar teu rosto jamais o aceitarás como até aqui... Saudades posso sentir sim, mas dos momentos em que fui feliz, em que te vi sorrir porque sim, saudades de ti ainda viva, ainda amante e fiel. Saudades sinto desse mar que canta baixinho aos pés dessa montanha, dos seres e cores que povoam essas águas, do mundo que te rodeia e que agora jamais me pertencerá... Destino o meu ver-te partir assim como se tivesse a acordar de um lindo sonho, destino o meu que me atira para as profundezas de mim sem ter direito a uma palavra, a um grito de misericórdia tudo porque não sou o senhor que se segue em ti, sou passado, algo que aconteceu e que se perderá no tempo. Prometi calar o meu sentimento, torna-lo cárcere da minha tristeza, prometi não deixar correr o sangue que flui nas minhas veias por ti porque me doí, porque não faz sentido... Não te quero olhar, sentir que a tua existência somente me trás angustia e na distancia que nos separa essa angustia é como uma mar que não tem fim... Grito mudo no silencio para não fazer a diferença, não quero incomodar, mas a tua ausência está-me a matar... Não mais te quero sentir porque me deixas-te para trás por uns grãos de areia, por um punhado de nada cheio de tudo, quando te poderia dar tudo por nada... Assim não, assim é a fraqueza que te vence e me derrota, assim é não dar valor ao que de mais valioso te consegui dar, é te sentires pobre com o maior de todos os tesouros... O Amor...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008