domingo, 11 de maio de 2008

Sussurro ao teu coração


Não mais escrevi porque até as ideias se esgotam, as palavras ficam por dizer, os gestos por cumprir. Minha voz não mais é que um sussurro ao vento, um gemido constante que não queres ouvir. E no segredo das palavras, não escutas o que estou a sentir, não aprecias o verdadeiro por do sol, aquele que te fez apaixonar, e que agora bem pode brilhar que para ti não passa de uma simples miragem... Gostaria de saber o que mudou no sentido das palavras, o que fez transformar as frases escritas naquelas que são ditas, gostaria de sentir muito mais, que fosses a minha inspiração, o meu reduto acolhedor e não meu porto de abrigo de ocasião. Fiz de ti meu poema com frases de ouro, deusa do melhor de mim, imagem do meu sonho que transformei em poesia, paixão avassaladora como nas mais belas historias de amor... Fiz de ti canção cantada ao vento espalhada pelos céus para que todos soubessem do orgulho, da felicidade de te ter conquistado, mas não chegou para te fazer olhar, para que pudesses sentir no teu sangue a minha inspiração, o meu devaneio... Não mais escrevi porque o mundo me está a fugir, sinto como que umas garras a invadir a minha carne, não me querem largar, grito em silencio por ti para que me salves deste torpor, resgata-me desta escuridão, mas não vês, não sentes que me faltas e tento gritar-te ao ouvido para que sejas a única ouvinte deste meu desespero, mas o sol já se vai afundando no oceano e nem reparas que se trata do mais belo por do sol que te ofereci. Por favor acorda antes que o sono me leve, antes que o mundo sinta a falta de quem nunca sentiu. Lágrimas se juntarão às minhas, mas pouco servirão se as fizer brotar depois de as minhas chorar. E sem tema para escrever, deixo minhas lágrimas correr para que a meus pés possa criar, o mais belo dos mares, aquele que um dia surgiu por um amor que era o nosso, mas que o tempo dissolveu e que por fim se tornou só meu. Até nas gotas da chuva que vejo baterem na janela do meu quarto poderia sentir a inspiração voltar, mas sem nada saber de ti, meu coração se quer revoltar, amotinar-se dentro de mim tentado em me expulsar do comando da minha pobre vida, querendo fazer-me condenar pelos sofrimentos que o tenho feito passar por sentir o que sinto por ti, por ver que condenado estou por não mais ter escrito o que de dentro de mim nasceu por ti... Não mais escrevi porque não quero ser inconveniente, não quero tornar em palavras, verbalizar os sentimentos do meu coração, pois a forma como escrevo embora possas não entender muito tem para perceber, e se por alguma razão conseguires descodificar irás descobrir que neste breve instante o sol já desapareceu nas profundezas do mar, pouco se irá salvar nas palavras que me faltam para te dizer mantendo só unicamente as que sempre me ouviste falar, - Amo-te Vanda

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